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Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

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Do PCC ao Corinthians: Entenda o esquema dos brasileiros sancionados pelos EUA por lavagem de dinheiro

Departamento do Tesouro americano bloqueia bens de Victor Shimada e Stella de Oliveira; investigação aponta conexão entre facção criminosa, criptomoedas, influenciador e o clube paulista.

Do PCC ao Corinthians: Entenda o esquema dos brasileiros sancionados pelos EUA por lavagem de dinheiro
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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou duras sanções financeiras, nesta quarta-feira (1º), contra os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Eles são acusados de atuar como operadores financeiros do PCC (Primeiro Comando da Capital).

O nome de Shimada já era conhecido das autoridades brasileiras por seu envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro que utilizou contratos do Corinthians e da antiga patrocinadora do clube, a VaideBet.

Abaixo, entenda como funcionava a rede criminosa que ligava o tráfico internacional ao futebol brasileiro:

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1. A rota internacional e o uso de Criptomoedas

Segundo o governo americano, Victor Shimada era um elo vital entre o PCC na Flórida e traficantes estrangeiros. Ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em solo americano. O dinheiro era enviado de volta ao Brasil em nome da facção criminosa utilizando transações com criptomoedas.

No esquema, Stella Stefanie — apontada como parente e associada próxima — atuava como secretária e operadora logística, sendo responsável por coletar grandes quantias em dinheiro vivo.

Com a sanção do OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), todos os bens, contas e empresas da dupla nos EUA foram imediatamente bloqueados.

2. O elo com o Corinthians e a Delação Premiada

A empresa de Shimada, a Victory Trading, foi formalmente incluída na lista de sanções americana. Ela já havia sido citada na delação premiada de Vinicius Gritzbach ao Ministério Público de São Paulo.

O esquema funcionava de forma escalonada:

  • A empresa Wave (também ligada a Shimada) enviava milhões para a Victory.

  • A Victory, por sua vez, repassou R$ 870 mil para a agência de jogadores UJ Football Talent.

  • Segundo a Polícia Civil de SP, a agência recebia esses valores como "retribuição" a compromissos financeiros pendentes de Augusto Melo, presidente do Corinthians.

Victor Shimada está preso no Brasil desde janeiro de 2025 devido a este esquema, que fraudava contratos publicitários do clube do Parque São Jorge.

3. Conexão com o influenciador 'Buzeira'

As investigações da Polícia Civil apontam que a rede de lavagem de dinheiro também se cruzava com o mercado de apostas e influenciadores digitais.

Extratos bancários da Victory Trading revelaram transações superiores a R$ 1 milhão para a empresa do influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o "Buzeira", realizadas em abril de 2024. Buzeira está preso desde outubro de 2025 sob a acusação de lavar dinheiro para o tráfico internacional de drogas por meio de casas de apostas (bets).

Situação Jurídica

Victor Shimada foi denunciado pelo Ministério Público por associação criminosa e furto qualificado. A acusação detalha que ele agia ocultando e dissimulando a origem do dinheiro por meio de sucessivas transferências entre empresas de fachada.

Até o momento, a defesa dos citados e a diretoria do Corinthians não se manifestaram formalmente. O espaço permanece aberto.

FONTE/CRÉDITOS: O Estado Noticias
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Agência O Estado

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