Hoje, a prisão de um empresário de renome nacional, acusado de envolvimento em um esquema de corrupção bilionário, ganhou as manchetes e indignou a sociedade. Para mim, esse episódio é mais do que uma notícia policial — é um retrato doloroso de como a corrupção é capaz de sufocar o empreendedorismo e atrasar o Brasil.
Enquanto investigam-se cifras que ultrapassam R$ 1 bilhão em propinas, pequenos e médios empreendedores lutam diariamente para manter seus negócios vivos. Enfrentam juros abusivos, carga tributária pesada e burocracia que não perdoa erros. Muitos desistem antes mesmo de começar. E não é por falta de talento ou coragem — é porque o jogo, muitas vezes, parece estar armado para beneficiar quem opera à margem da lei.
Quando vantagens fiscais e decisões administrativas podem ser compradas, cria-se um ambiente desleal. Grandes grupos que pagam para receber favores ganham competitividade artificial. Os honestos, que seguem as regras, são obrigados a competir em um campo inclinado contra si. Essa desigualdade corrói a confiança no mercado e mina o estímulo para inovar e crescer.
No Clube Mulheres de Negócios do Brasil, defendemos que o verdadeiro empreendedorismo se constrói com integridade, propósito e impacto social positivo. Não basta gerar lucro: é preciso gerar valor para a sociedade. É esse exemplo que queremos multiplicar — e não o de quem enriquece explorando brechas ilícitas.
A corrupção não é apenas um problema ético; é um obstáculo concreto ao desenvolvimento econômico. Ela desvia recursos que poderiam estar financiando programas de incentivo, infraestrutura e educação. Ela envia a mensagem errada: que conexões obscuras podem valer mais que competência e esforço.
O Brasil só terá um ecossistema de negócios forte quando a honestidade deixar de ser exceção para se tornar regra. E nós, mulheres de negócios, temos um papel crucial nessa transformação: sermos guardiãs da ética, agentes da mudança e exemplos vivos de que é possível prosperar pelo mérito.
Se quisermos um país mais justo, precisamos de coragem para denunciar, integridade para liderar e determinação para mostrar que o futuro pertence a quem constrói — não a quem corrompe.


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