O Estado Notícias Bahia

Terça-feira, 06 de Outubro de 2026

Notícias/Salvador

Murais transformam entorno do BRT do Itaigara em novo circuito de arte urbana em Salvador

Salvador

Murais transformam entorno do BRT do Itaigara em novo circuito de arte urbana em Salvador
Arivaldo Publio / Projeto MURAL
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Quem passa pelo entorno do BRT do Itaigara encontra agora uma paisagem marcada por cores, personagens, memórias e referências à história de Salvador. Novos murais artísticos foram concluídos e entregues na região, transformando áreas de circulação em espaços de contato com a arte urbana.

A iniciativa é realizada pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, em parceria com a Trevo Produções. O conjunto integra o Circuito de Murais do BRT – Arte como respiro, memória e território vivo em Salvador, concebido e coordenado pelo Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre.

São trabalhos de artistas muralistas com diferentes linguagens e técnicas, como Felipe Alaído, Zana Nacola, Isa Muriá, Thiago Tupinambá, Niiny e Thays Eunice, com a participação de artistas assistentes durante o processo de pintura.

Leia Também:

A proposta curatorial, intitulada “Arte como Respiro: Territórios em Fluxo”, parte da ideia de que os espaços urbanos também são formados pelas histórias e relações construídas por quem vive e circula neles. Os murais foram pensados, assim, como pontos de pausa em meio ao trânsito e à movimentação do Itaigara, aproximando a produção contemporânea do cotidiano da população.

O circuito dialoga com a memória ancestral presente no próprio nome do bairro, associado à expressão “canoa de pedra”, com raízes na língua tupi-guarani. Mais um exemplo de como Salvador guarda, nos seus bairros, marcas profundas da presença indígena na sua história e toponímia.

A partir dessa referência, os artistas construíram diferentes interpretações sobre a cidade e seus territórios.

A artista visual, ilustradora e muralista baiana Zana Nacola apresenta a obra “Rede Mãe”, que celebra a força das conexões entre mulheres, realizada em um mural de 70 metros quadrados. A artista contou com a assistência de pintura do artista carioca-baiano Eduardo Rodrigues. Construída entre tramas e referências às rendas, a obra estabelece uma relação simbólica entre o Brasil e a África. O mar surge como ponte entre os dois territórios: o mesmo mar que historicamente separou povos e histórias também conecta memórias, identidades e ancestralidades.

A obra também celebra a potência das mulheres descendentes daquelas que sobreviveram à travessia atlântica e fizeram da resistência uma herança compartilhada.

Com mais de 80 metros quadrados, o mural “Cotidiano em Movimento”, do artista Felipe Alaído, apresenta um retrato ilustrado da diversidade, dos encontros e dos deslocamentos que dão vida ao Itaigara. Personagens e histórias se cruzam na composição, revelando um bairro construído diariamente pelas pessoas que vivem, trabalham e circulam pela região.

O movimento deixa de ser apenas uma característica do trânsito e passa a representar a própria dinâmica humana do território. A obra transforma cenas comuns como do vendedor de frutas, da banquinha de salgados, casais que se encontram, em uma narrativa visual sobre convivência, pluralidade e vida urbana. Felipe Alaído contou com a assistência dos artistas Esdras Mosh e Suck durante o processo de pintura.

Os artistas Isa Muriá e Thiago Tupinambá, em uma conexão entre Bahia e Pará, assinam a obra “Mãos Indígenas”, realizada em um mural com mais 80 metros quadrados de extensão, com assistência de pintura de Suck. O trabalho parte do reconhecimento de que mãos indígenas também participaram da construção de Salvador, embora essa presença tenha sido historicamente apagada ou reduzida a estereótipos.

A obra chama atenção para a escravização de pessoas indígenas e para sua posterior utilização como mão de obra barata nos processos de construção e urbanização das cidades. Ao abordar essa realidade, o mural confronta imaginários que apresentam os povos indígenas como extintos, isolados ou pertencentes apenas a representações idealizadas do passado.

Em “Onde a Vida Resiste”, Niiny Santos aborda a relação entre vida, água, território e resistência a partir do Rio Camarajipe. Com 80 metros quadrados, o graffiti reúne figuras humanas, ancestrais, crianças, pescadores, animais, vegetação e palafitas, construindo uma narrativa sobre a riqueza da vida no território e as transformações provocadas pela poluição, pela ocupação urbana e pela especulação imobiliária.

Em diálogo com a cultura baiana, a presença de um pescador com a máscara do BaianaSystem amplia a reflexão sobre as mudanças e disputas pelo território. A água aparece como símbolo de origem, continuidade e sustento da vida. As cinco figuras femininas evocam a ancestralidade e a transmissão da vida e dos saberes entre gerações, enquanto as crianças reforçam o vínculo das novas gerações com esse território e a responsabilidade de preservá-lo.

A fauna e a vegetação representam a diversidade de vidas que dependem do rio, e os pescadores evidenciam a relação entre suas águas, o trabalho, o alimento e a sobrevivência das comunidades. O mural celebra a vida que permanece e resiste, ao mesmo tempo que convida à preservação de comunidades, histórias e ecossistemas. Niiny Santos contou com a assistência de pintura de Expedito Jorge, Carlos (Cala), Alisson Ramos e Oliver Dorea.

Thays Eunice apresenta “Cuide-se”, obra que aborda o afeto, a cura, os sonhos, a identidade cultural, a natureza e os modos de viver em Salvador. Com elementos do cotidiano e imagens que convidam à contemplação e à reflexão, o mural propõe um olhar sensível para a vida na cidade e para o cuidado. A artista contou com a assistência de pintura de Cala e Acredite.

FONTE/CRÉDITOS: Arivaldo Publio / Projeto MURAL
Comentários:
O Estado Notícias

Publicado por:

O Estado Notícias

Agência O Estado

Saiba Mais

Veja também

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )