A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), discutiu nesta quarta-feira (6) oportunidades no setor de saúde da capital baiana, durante painel do Index 2026, considerado o maior evento da indústria do Nordeste.
A moderação do debate foi feita pela diretora de Desenvolvimento Econômico da secretaria, Luciana Buck. O encontro reuniu especialistas para debater o futuro do segmento tecnológico e médico na cidade.
O principal foco do painel foi a articulação para consolidar em Salvador o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS), uma iniciativa que visa integrar academia, poder público e iniciativa privada. Para a gestão municipal, o fomento a este nicho representa uma virada de chave para a modernização da economia local.
Durante a discussão, a diretora da Semdec pontuou que o momento atual é de desenho de estratégias e expansão de parcerias para viabilizar o ecossistema. “Tem sido uma corrente em que um vai dando a mão ao outro e essa rede está crescendo. Para termos sucesso e criar este complexo, temos que unir serviços, tecnologia e equipamentos médicos, envolvendo ativamente o governo, o setor privado e a academia”, afirmou Luciana.
Atração de indústrias – O debate evidenciou que Salvador possui os diferenciais necessários para atrair a atenção do mercado externo e interno. Fundador da Solvum e presidente da Associação Baiana de Startups (ABAS), Mateus Couto afirmou que a cidade pode ser referência global na gestão de processos de saúde. Para ele, a implantação do complexo é um dos maiores planos para alavancar a escalabilidade tecnológica de forma rápida na região.
O ambiente favorável aos negócios já se reflete no interesse prático de expansão de indústrias nacionais. Yuri Crispim, diretor industrial da MSB Medical System do Brasil, empresa atuante na criação de dispositivos inovadores para cirurgias, revelou que a meta do setor deve ser internalizar processos para reduzir a dependência de importações. Diante do potencial da cidade, ele revelou planos de investimento na capital baiana. “Estamos querendo expandir para Salvador, com maquinário e tecnologia, para contribuir diretamente com a criação do complexo econômico da saúde local”, afirmou Crispim.
Qualificação – Para dar suporte ao interesse industrial, a qualificação dos profissionais é um pilar inegociável. Segundo Tatiana Nery, gerente executiva de Negócios de Saúde e Biotecnologia do Senai Cimatec, o Brasil superou grande parte de sua dependência científica, mas há uma necessidade urgente: a formação precisa acompanhar as demandas reais do mercado. Apenas assim a indústria local poderá concorrer com gigantes internacionais, como a China.
Economista e coordenador do Observatório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Thobias Silva lembrou que a reforma tributária trará redução de impostos, aumentando a competitividade do país. “Para atrair para Salvador, é preciso mostrar o que a cidade tem a oferecer. Seus diferenciais passam por mostrar a capacidade dos entes públicos e acadêmicos de ter qualificação de mão de obra, além de estrutura para quem vier para cá”, avaliou o especialista.

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