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Terça-feira, 20 de Outubro 2026
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Cascas de laranja jogadas em área degradada em parque na Costa Rica transformaram local em floresta tropical

Pesquisadores da Universidade de Princeton descobriram que ação gerou aumento na biomassa do solo e sequestro de carbono sem custos

Cascas de laranja jogadas em área degradada em parque na Costa Rica transformaram local em floresta tropical
Caminhão sendo carregado com laranjas em Limeira (SP) • REUTERS
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Em meados dos anos 1990, cerca de mil caminhões despejaram cascas de laranja em um parque nacional da Costa Rica, nos Estados Unidos. Mas, o que parecia ter "sujado" a área, na verdade beneficiou o solo e a qualidade de vida das plantas do local.

Uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Princeton, em 2017, analisou a área 16 anos após o depósito das cascas de laranja. Eles descobriram um aumento de 176% na biomassa acima do solo (a madeira das árvores) na área estudada, além de um "sequestro" de carbono sem custo algum.

Como essa ideia surgiu?

A ideia de jogar os resíduos agrícolas na área surgiu do casal Daniel Janzen e Winnie Hallwachs, ambos ecologistas que se formaram em Princeton em 1976 e que trabalharam como pesquisadores e consultores técnicos por muitos anos na ACG (Área de Conservação Guanacaste) na Costa Rica. 

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Em 1997, eles apresentaram uma proposta à Del Oro, uma fabricante de suco de laranja que havia acabado de iniciar a produção na fronteira norte da Área de Conservação Guanacaste. Se a fabricante doasse parte de suas terras florestais para o local, em troca, a empresa poderia depositar seus resíduos para biodegradação, sem custo algum, em terrenos degradados dentro do parque.

Mas, um ano depois da assinatura do contrato, uma empresa concorrente processou a Del Oro por "danificar um parque nacional", e acabou ganhando o caso. Como consequência, a área foi ignorada por 15 anos.

Timothy Treuer, coautor principal do estudo, disse que se surpreendeu com o resultado após visitar o local pela primeira vez após todos esses anos em que permaneceu sem intereferência.

“Estava tão completamente tomado por árvores e trepadeiras que eu nem conseguia ver a placa de 2 metros de comprimento com letras amarelas brilhantes que indicava o local, a poucos metros da estrada”, disse Treuer.

Jonathan Choi, que também colaborou com o estudo e transformou-o em sua tese de conclusão de curso, disse que precisou "escalar a vegetação rasteira e abrir caminho através de paredes de trepadeiras" para conseguir andar pela área.

Como os resultados foram avaliados?

A equipe de pesquisa avaliou dois conjuntos de amostras de solo para determinar se as cascas de laranja enriqueciam os nutrientes do solo.

O primeiro conjunto de amostras foi coletado e analisado no ano 2000 pela coautora Laura Shanks, do Beloit College, e o segundo conjunto foi coletado em 2014 por Choi. Os dados de Shanks nunca foram publicados, portanto, sua análise foi combinada com a de Choi para os fins do estudo. As amostras foram analisadas usando métodos diferentes, mas comparáveis.

Os resultados mostraram que havia uma diferença drásticas entre as áreas cobertas com cascas de laranja e as que não foram. A área fertilizada com os resíduos agríacolas apresentava solo mais rico, maior biomassa arbórea, maior diversidade de espécies arbóreas e maior cobertura do dossel florestal.

FONTE/CRÉDITOS: Giovanna Csiszar, colaboração para a CNN Brasil
O Estado Notícias

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Agência O Estado

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