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Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026

Notícias/Autismo

Hapvida no centro das denúncias: famílias de crianças autistas relatam interrupções de terapias, dificuldades de atendimento e batalhas para garantir tratamento

Relatos de mães na Bahia colocam em evidência uma questão que vai além de uma sessão perdida: a continuidade do cuidado de crianças com TEA

Hapvida no centro das denúncias: famílias de crianças autistas relatam interrupções de terapias, dificuldades de atendimento e batalhas para garantir tratamento
Foto: Dawidh/ Reprodução
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Quem paga mensalmente por um plano de saúde espera, no mínimo, conseguir acesso ao tratamento prescrito quando dele necessita. Para famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), entretanto, relatos de dificuldades para conseguir terapias, interrupções de atendimentos e necessidade de recorrer repetidamente à operadora ou à Justiça revelam uma realidade que merece atenção.

O tema voltou a ganhar repercussão na Bahia após a divulgação de denúncias relacionadas ao atendimento de crianças autistas e às dificuldades enfrentadas por famílias para garantir a continuidade terapêutica.

Em agosto deste ano, a Polícia Civil da Bahia deflagrou a segunda fase da Operação Neurodignos, realizando buscas em quatro unidades de Salvador que oferecem serviços relacionados ao atendimento de crianças com TEA. Uma das unidades era vinculada ao grupo Hapvida. Segundo informações divulgadas à época, a investigação teve origem em denúncias de pais e questionamentos apresentados também pelo Conselho Regional de Psicologia. O material apreendido seria analisado pelos investigadores. 

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Agora, novos relatos de famílias chegam à rede de apoio que acompanha crianças e adolescentes autistas na Bahia.

Cinco atendimentos prejudicados em dois dias

Entre os casos relatados está o de uma criança de Simões Filho, diagnosticada com TEA nível 2 de suporte.

Segundo informações repassadas pela mãe à rede de apoio, a criança teve cinco atendimentos prejudicados nos dias 2 e 6 de outubro de 2026.

Na sexta-feira, 2 de outubro, estavam previstos:

* 13h40 — terapia ocupacional;
* 14h20 — psicopedagogia;
* 15h — terapia ocupacional;
* 15h40 — psicologia.

Já no dia 6 de outubro, às 13h40, estava previsto atendimento de fonoaudiologia.

Segundo a mãe, ela já procurou diversas vezes a Hapvida, em Salvador, buscando solucionar a situação, mas afirma que ainda não conseguiu resolver o problema.

O caso será objeto de uma reportagem específica com a responsável, que poderá apresentar detalhadamente sua experiência, documentos, protocolos e as tentativas realizadas para obter uma solução.

Não se trata apenas de uma consulta

Para uma criança autista, a terapia não é simplesmente um atendimento que pode ser substituído por outro compromisso na agenda.

A depender da indicação clínica individual, o acompanhamento pode envolver psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e outros profissionais. O próprio Ministério da Saúde reconhece a oferta dessas modalidades no atendimento especializado de pessoas com TEA no SUS. 

Na saúde suplementar, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu, no Tema Repetitivo 1.295, que é abusiva a limitação do número de sessões de terapia multidisciplinar prescritas para pacientes com TEA, incluindo psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional. 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar também estabelece prazos máximos para realização de consultas e sessões previstas na cobertura assistencial, incluindo sessão com fonoaudiólogo. 

O problema que aparece por trás dos relatos

Os relatos recebidos pela rede de apoio apontam para situações diferentes que precisam ser separadas e investigadas: sessões que deixam de acontecer, dificuldades de agendamento, problemas relacionados à rede credenciada, profissionais ou clínicas, interrupções no acompanhamento e, em alguns casos, famílias que afirmam precisar buscar medidas administrativas ou judiciais para conseguir atendimento.

Não é possível afirmar, a partir dos relatos isolados, que todos tenham a mesma causa.

Mas existe uma pergunta comum a todas essas famílias:

quem garante que o tratamento prescrito será efetivamente realizado?

O próprio grupo Hapvida enfrenta discussão sobre judicialização

A discussão ocorre em um momento em que a própria companhia reconhece a judicialização como um desafio para seus resultados. Em entrevista publicada em setembro, o CEO da Hapvida, Luccas Adib, afirmou que o aumento da judicialização havia impactado negativamente os resultados da companhia e que a empresa estava passando por um processo de reestruturação. 

A informação, entretanto, não significa que todas as ações judiciais contra a empresa estejam relacionadas a tratamentos de crianças autistas. São fenômenos que precisam ser analisados separadamente.

Cândido Pinheiro: fundador continua ligado à estrutura de qualidade assistencial

Cândido Pinheiro Koren de Lima é fundador da Hapvida e atualmente integra o Conselho de Administração da companhia. Segundo a estrutura de governança publicada pela própria empresa, ele também coordena o Comitê de Qualidade Assistencial. 

É justamente por isso que a discussão sobre a qualidade e a continuidade da assistência ganha relevância quando famílias relatam problemas no atendimento.

A reportagem não atribui pessoalmente a Cândido Pinheiro qualquer uma das situações relatadas pelas famílias. A referência à sua posição na companhia serve para contextualizar a estrutura de gestão e o debate sobre qualidade assistencial.

Hapvida será procurada

O Portal O Estado Notícias Bahia encaminhará à Hapvida os relatos e solicitará posicionamento sobre:

* os atendimentos terapêuticos de crianças com TEA;
* situações de interrupção ou não realização de sessões;
* dificuldades relatadas pelas famílias;
* funcionamento da rede de atendimento em Salvador e Região Metropolitana;
* providências adotadas diante das reclamações;
* e os mecanismos utilizados pela empresa para assegurar a continuidade do tratamento.

A reportagem também dará espaço para que a empresa apresente sua versão sobre cada caso concreto.

A criança de Simões Filho terá sua identidade preservada.

FONTE/CRÉDITOS: Agência O Estado
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