A Prefeitura de Salvador ampliou o acesso ao Botão Lilás, canal de comunicação voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência na capital baiana. A ferramenta agora também pode ser acessada por meio de 26 totens instalados nas estações do BRT.
Com a iniciativa, que é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), as usuárias do sistema de transporte podem pedir ajuda caso estejam em situação de perigo ou sejam vítimas de algum tipo de violência durante o deslocamento.
Nos totens, estão disponíveis QR Codes que podem ser lidos pela câmera do celular. Após a leitura, a pessoa é direcionada para o WhatsApp do serviço, pelo número (71) 98791-3420, no qual pode acionar o Botão Lilás.
O acesso é feito de forma autônoma, sem a necessidade de intermediação de funcionários da Socicam, empresa responsável pela administração das estações, ou de outros profissionais que atuam no local.
Durante o atendimento, também é possível compartilhar a localização da ocorrência, facilitando a identificação do local e o deslocamento das equipes quando houver necessidade de intervenção.
Caso a mulher tenha alguma dificuldade para acessar ou utilizar a ferramenta, os profissionais que trabalham nas estações foram capacitados para prestar suporte e orientar sobre o funcionamento do serviço.
Para a secretária da SPMJ, Fernanda Lordelo, a disponibilização do Botão Lilás nas estações do BRT amplia o alcance da ferramenta e facilita o acesso das mulheres a informações, orientações e canais de ajuda em situações de violência.
“O Botão Lilás é uma ferramenta desenvolvida pela Prefeitura de Salvador para aproximar as mulheres da informação e dos caminhos para buscar ajuda em situações de violência. A gente quer que elas tenham esse recurso na palma da mão, de forma simples e acessível, e que saibam que não estão sozinhas”, destacou.
A balconista Jaqueline Leite, de 38 anos, moradora do Engenho Velho de Brotas, utiliza o BRT principalmente quando precisa fazer integração com outros meios de transporte. Para ela, ampliar o acesso ao Botão Lilás nas estações representa um reforço na proteção das passageiras, sobretudo diante de situações de assédio e violência no transporte público.
“Acho muito importante essa iniciativa porque, em qualquer lugar, principalmente nos transportes, as mulheres ficam mais vulneráveis a sofrer algum assédio ou até violência física. Nunca passei por uma situação dentro do transporte público, mas já fui vítima enquanto aguardava em um ponto de ônibus”, disse.
Segundo a coordenadora da Patrulha Guardiã Maria da Penha, Géssica Reis, o canal não é restrito às vítimas. Terceiros que presenciarem uma situação de agressão ou risco também podem comunicar a ocorrência e solicitar atendimento.
“Hoje, quando uma mulher aciona o nosso Botão Lilás, que funciona pelo WhatsApp da Prefeitura, ela inicialmente é atendida por um chatbot. Por meio dele, pode consultar a carta de serviços ou pedir ajuda. E não precisa ser necessariamente a própria vítima: qualquer pessoa que esteja presenciando uma situação de violência, seja homem ou mulher, pode informar o que está acontecendo e solicitar uma viatura”, explicou.
Durante o acionamento, o sistema pergunta se há necessidade do envio imediato de uma equipe. Em caso positivo, a ocorrência é direcionada à Central de Operações da Guarda Civil Municipal (GCM), e o atendimento automatizado dá lugar ao contato com um profissional capacitado, que passa a coletar informações sobre a situação e a localização da ocorrência.
A partir das informações fornecidas, a GCM identifica a viatura mais próxima e pode deslocar uma equipe para prestar atendimento. Os dados sobre a ocorrência também são repassados ao comandante da guarnição, permitindo que os agentes cheguem ao local com informações prévias sobre a situação relatada.
Caso o agressor seja localizado, ele pode ser encaminhado a uma delegacia para o registro da ocorrência e a adoção das medidas cabíveis pela Polícia Civil. Em Salvador, os casos podem ser apresentados às unidades especializadas, como a instalada na Casa da Mulher Brasileira e as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) de Brotas e Periperi.
Suporte – Embora o acionamento do Botão Lilás possa ser feito diretamente pela própria mulher, sem a necessidade de procurar um funcionário da estação, as equipes que atuam no BRT foram capacitadas para prestar suporte caso alguma usuária tenha dúvidas ou precise de auxílio para acessar a ferramenta.
A funcionária do BRT Renilda Santos do Carmo, de 38 anos, trabalha na Estação Hiper e conta que, apesar de ainda não ter precisado auxiliar diretamente uma vítima de violência, passageiros já procuram os profissionais do local para obter informações sobre o Botão Lilás.
“É muito importante para a gente, porque nunca sabemos quando pode acontecer alguma coisa e quando vamos precisar. Pode ser com uma amiga ou um parente. Então, é uma segurança a mais para nós”, afirmou.
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