O casamento no Brasil é regido por diferentes regimes de bens, que definem como
será feita a administração e divisão do patrimônio dos cônjuges durante a união e em caso
de dissolução. Entre esses regimes, o da separação obrigatória de bens gera discussões
importantes, especialmente quando aplicado às pessoas com mais de 70 anos.
O que diz a legislação?
De acordo com o Código Civil Brasileiro, em seu artigo 1.641, o regime de
separação obrigatória de bens é imposto em determinadas situações, como:
Quando algum dos cônjuges tem mais de 70 anos.
2. Quando o casamento é celebrado sem o consentimento de
um tutor, no caso de pessoas menores de idade.
3. Em casos de pessoas que precisam de autorização judicial
para se casar.
A regra referente aos maiores de 70 anos foi introduzida pela Lei nº 12.344/2010,
com o objetivo de proteger o patrimônio de pessoas mais velhas contra possíveis abusos
ou fraudes.
Como funciona o regime de separação obrigatória?
No regime de separação obrigatória, cada cônjuge mantém a propriedade
exclusiva dos bens que possuía antes do casamento e daqueles adquiridos de forma
individual após a união. Não há comunhão de bens, salvo nos casos de comprovação de
esforço comum, conforme jurisprudência consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça
(STJ).
Controvérsias em torno da regra
A obrigatoriedade do regime para pessoas acima de 70 anos é alvo de críticas por
supostamente desrespeitar o princípio da autonomia privada. Argumenta-se que, ao
atingir essa idade, o indivíduo ainda tem plena capacidade para decidir como deseja
organizar sua vida patrimonial, sendo desnecessária a intervenção estatal.
Outro ponto de debate é a discriminação etária que a norma pode representar, pois
estabelece um limite de idade que não necessariamente reflete a realidade de cada pessoa.
Críticos defendem a aplicação de uma análise individual para determinar eventuais
vulnerabilidades, em vez de uma regra geral baseada apenas na idade.
A questão do esforço comum
Embora o regime preveja a separação de bens, a jurisprudência brasileira admite
o reconhecimento de direitos patrimoniais em casos onde é comprovado o esforço comum
para a aquisição de determinados bens durante o casamento. Nesse sentido, mesmo no
regime de separação obrigatória, pode ser reconhecida uma espécie de "sociedade de
fato", especialmente em uniões de longa duração.
Reflexões finais
O regime de separação obrigatória para pessoas acima de 70 anos é um tema que
equilibra proteção patrimonial e autonomia individual. Enquanto seu objetivo principal é
evitar abusos, a norma ainda enfrenta desafios para garantir que direitos e liberdades
fundamentais sejam respeitados.
O debate sobre a aplicação dessa regra continua vivo nos tribunais e na sociedade,
com especialistas discutindo alternativas que possam atender aos interesses dos mais
velhos sem comprometer sua autonomia. Por isso, é sempre recomendável buscar
orientação jurídica antes de decidir pelo casamento nessa faixa etária.
Se você tem dúvidas ou pretende formalizar uma união após os 70 anos, consulte
um advogado especializado para entender as implicações legais e garantir a segurança de
seu patrimônio e relações pessoais

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