A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informou que está investigando o atendimento prestado a uma menina de 11 anos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paripe, no Subúrbio Ferroviário. Segundo denúncia da mãe da criança, Laiza Silva de Jesus, a paciente foi submetida a um teste de gravidez sem autorização da família.
O caso ganhou repercussão nesta quarta-feira (15), após a mãe relatar a situação em entrevista ao programa Giro Baiana, da Baiana FM e da BNews TV.
Prefeitura abre apuração
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde informou que instaurou uma apuração em conjunto com a direção da unidade para esclarecer todas as circunstâncias do atendimento.
Segundo a pasta, em determinadas situações clínicas, exames complementares podem ser necessários para confirmar ou descartar hipóteses diagnósticas, orientar a conduta médica, a prescrição de medicamentos e a realização de procedimentos, sempre com base na avaliação clínica e nos protocolos assistenciais.
A SMS também informou que está verificando como ocorreu a comunicação entre a equipe médica e os responsáveis legais pela paciente, destacando que o acolhimento, a transparência das informações e o diálogo com a família são princípios fundamentais da assistência prestada pela rede municipal de saúde.
Ainda conforme a secretaria, caso sejam identificadas falhas na condução do atendimento, poderão ser adotadas medidas administrativas.
Mãe relata atendimento e questiona exame
De acordo com Laiza Silva de Jesus, a filha procurou atendimento na UPA apresentando dor de cabeça e náuseas. Durante a consulta, ela afirma que o foco do atendimento mudou quando os profissionais passaram a fazer perguntas sobre a vida sexual da criança.
Segundo o relato da mãe, os médicos questionaram se a menina namorava, se já havia menstruado e se mantinha relações sexuais. Em seguida, solicitaram um exame sem informar qual procedimento seria realizado.
Após os exames, a família recebeu a informação de que não havia alterações e que os sintomas eram compatíveis com um quadro gripal. A criança recebeu alta médica.
Exame foi identificado apenas em casa
Ainda segundo a mãe, somente ao chegar em casa ela percebeu que o exame realizado era um Beta-hCG, teste utilizado para detectar gravidez.
Laiza afirmou que a filha contou que os médicos fizeram perguntas relacionadas à possibilidade de gestação durante o atendimento, o que reforçou sua surpresa ao identificar o exame na documentação entregue pela unidade.
Família buscou esclarecimentos
Após descobrir o tipo de exame realizado, a família retornou à UPA de Paripe em busca de esclarecimentos. Segundo a mãe, eles não conseguiram conversar com a equipe responsável pelo atendimento.
Ela relata ainda que o pai da criança foi impedido de entrar na unidade e que a situação terminou com a intervenção de um policial após um desentendimento no local.
Laiza também afirmou ter procurado a assistência social da unidade, mas disse que não recebeu orientações que esclarecessem o ocorrido. Segundo seu relato, uma profissional teria sugerido que o exame fosse repetido no dia seguinte.
Gestão da unidade
A UPA de Paripe é administrada pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH), organização social responsável pela gestão administrativa, operacional e médica da unidade, sob regulação e fiscalização da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador.
A investigação segue em andamento e, até o momento, a Prefeitura não divulgou o resultado da apuração nem informou se houve irregularidades na condução do atendimento.

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