A filha da lendária baiana de acarajé Dinha, a turismóloga e produtora cultural Elaine Michele Assis Cruz, fez um apelo público para tentar evitar a perda do apartamento da família, localizado em Salvador. O imóvel, segundo ela, foi comprado e totalmente quitado em 2001, mas nunca teve a escritura transferida por causa da falência da empresa responsável pela venda.
A disputa judicial se arrasta há anos e voltou a ganhar repercussão por envolver o patrimônio de uma das maiores representantes da cultura afro-baiana e do acarajé na Bahia.
Quem foi Dinha do Acarajé
Lindinalva de Assis, conhecida nacionalmente como Dinha do Acarajé, nasceu em Salvador e se tornou um dos maiores símbolos da culinária e da cultura baiana.
Sua história começou ainda na infância. Aos 7 anos, ela passou a ajudar a avó, Ubaldina de Assis, no tradicional ponto de acarajé localizado no Largo de Santana, no Rio Vermelho. Aos 10 anos, já comandava o tabuleiro que, com o passar dos anos, se transformaria em um dos pontos gastronômicos mais famosos da capital baiana, conhecido como Largo da Dinha.
Com seu talento e dedicação, Dinha ajudou a transformar o acarajé em uma das maiores marcas culturais da Bahia. Reconhecida como a “Soberana da Bahia”, ela levou a tradição para além do estado e, em 1997, participou de um evento no Principado de Mônaco, onde apresentou seus quitutes para a família real.
No ano seguinte, ampliou sua atuação com a criação da Casa da Dinha, restaurante que se tornou referência em Salvador e ajudou a fortalecer a gastronomia afro-baiana.
Além do sucesso comercial, Dinha também teve papel importante na valorização das baianas de acarajé, defendendo o reconhecimento da atividade como patrimônio cultural.
Ela morreu em 16 de maio de 2008, aos 56 anos, após uma parada cardiorrespiratória. Deixou três filhos biológicos e cinco filhos de criação, além de uma história que continua presente através da tradição mantida pela família.
Quem é Elaine Michele Assis
Elaine Michele Assis Cruz é a filha mais nova de Dinha e segue ligada ao legado deixado pela mãe.
Baiana de acarajé, turismóloga e produtora cultural, ela atua na preservação da tradição familiar e participa da administração dos pontos mantidos pela família no Rio Vermelho e no Costa Azul, ao lado do irmão Edvaldo Assis.
Em 2005, Elaine criou a empresa AGÔ Ajeum, voltada para eventos e iniciativas relacionadas à cultura afro-baiana. Seu trabalho também busca preservar receitas tradicionais e reforçar o significado cultural do acarajé como símbolo de ancestralidade.
Disputa pelo apartamento em Salvador
O imóvel envolvido na disputa fica no edifício Pituba Ville, em Salvador. Segundo Elaine, o apartamento foi adquirido pela família através da empresa Lebram e teve o pagamento concluído em janeiro de 2001.
No entanto, a falência da empresa teria impedido a regularização da escritura do imóvel em nome de Dinha.
“Dinha morou comigo até 2008, ano do seu falecimento. Ela pagou esse apartamento com o suor do trabalho dela, e conseguimos quitar em janeiro de 2001. Compramos pela Lebram, que naquele período decretou falência, e não conseguimos fazer a escritura nem colocar o imóvel no nome dela”, afirmou Elaine.
Segundo a filha da baiana, em 2004 o apartamento passou a ser envolvido em um processo trabalhista relacionado à antiga empresa responsável pela venda. Ela afirma que possui contrato de compra e venda, documento de quitação e testemunhas que comprovam a negociação.
Mesmo assim, Elaine relata que foi expedido um mandado de despejo e que a família tenta reverter a situação na Justiça.
“Tenho uma filha menor de 12 anos e estamos desesperadas, pois infelizmente não tenho outro bem nem outro imóvel para morarmos. Compramos esse apartamento com muito esforço, buscando qualidade de vida para Dinha, que já enfrentava problemas de saúde e precisava de um lugar melhor”, declarou.
Até o fechamento da reportagem, não houve retorno da Lebram para comentar o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.

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